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terça-feira, 30 de abril de 2013

Óh, Deus

Óh Deus, que verão mais frio
Que sol mais gelado
Que areia mais dura
Óh Deus! Sou mera amante
Do destino ocupante
Da ousadia em mulher
Óh Deus! Meus passos errantes
Poderios perdurantes
Do mais puro prazer
Óh Deus! Meus gritos de pavor
Minhas lágrimas de horror
Minha sede de amor
Óh Deus! Cadê a minha esperança?
Nos olhos de criança
Que um dia se matou
Óh Deus! Revivo os meus lábios
Para palavras errantes
Quem sabe do meu ser
Óh Deus! Cadê a irmandade
O amor, a igualdade
Nesta vida tão banal
Óh Deus! Há gente morrendo
Vidas corroendo
Fogo ao amor
Óh Deus! Dei-me força
Para encarar os homens
Que destroem a vida humana.

Loucuras.

É meio engraçado essa mistura de sentimentos. Ardentes, pavorosos e contorcidos. Parece que estou ficando louca. Ou seria algum tipo de interrogação essa loucura permanente que sobrevive em meu sorriso? Palavras não me são suficientes. Sou fogo e sou desejo nesse espaço tão normal. Quero silêncio e quero gritaria. Sou tão infantil que os transformei em ousadia. Em palavras tortas, sou alguém - ou quem sabe ninguém. Alguém pode explicar que sou alguém e que de ninguém eu não sou nada? Alguém como eu, podendo explicar que ninguém não existe e por isso sou louca de acreditar que sou ninguém. Alguém eu sou, é claro. Eu existo. Na verdade, não sei muito bem sobre essas coisas de existir. Eu só gosto da lua, da noite e do bem que faço com o meu amor. Amor, amor ... Tão inesperado e loucamente sentido que deveria chamar-se pré-loucura. Palavras fortemente usadas para disfarçar essa palavra que todos usam. Sem distinguir amor de amor. Amor leve de amor forte. Mas sabe? Cada um pode sentir o amor que quiser. Nem sei mesmo o que estou escrevendo agora. Nem sei mesmo o que eu sou. Pode até ser, minhas queridas palavras, que vocês saibam exatamente o que eu sou. Ou melhor, quem eu sou. Essa vontade de achar-me em linhas tortas - não tão tortas assim - me levam para o sonho feito de realidades. Realidades que existem, acreditem Acreditem! A realidade é minha. Só minha. Apenas minha. Palavras voadoras. Tão quanto a minha realidade que vire e mexe voa e some por aí. Meus pés andam pela janela. Mas não assustem-se. Ela está entreaberta. Sim, assim como o meu sorriso diante da loucura. Vejam só. A loucura me parece tão bonita ( tão mais que a realidade). Realidades cruéis não fazem parte do que eu sou. Fazem, às vezes, do que fui. Na verdade, o que eu fui ou o que eu sou não interessam a essa ousadia fantasiada de loucura. Por isso, silêncio, agarre-me pelos pés, quero ficar de cabeça para baixo. Minhas linhas tortas já me agarram pelas mãos.

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Sinto fome
De grande verdade
Calo a boca pela dor
Do silêncio da maldade
Corta e congela
Através da inspiração
Quando a insanidade brota dos meus olhos
Quando a mim imploras perdão

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Noite sua.

Essa noite queria algumas coisas. Se o tempo for bom comigo (...) Sei que daria um jeito de fazer alguma coisa para ajudar-me. Em paz, corpo e espírito. Essa noite quero muito mais que palavras fundadas em teorias que eu não consigo nem vivenciar. Será que alguém consegue entender os meus conceitos errados? É claro (...) Se alguém souber o que é certo e errado. É claro! Aqui, nada pode ser escuro (...) Nessa noite,  minha querida, minha voz será o céu. Podes olhar quando abrir seus olhos! Minhas palavras esconderam-se nas nuvens cor-de-rosa. Então, preste bem atenção no que tenho a lhe falar: Quando deitar a cabeça em sua cama, lembre-se de mim. Serei a sua menina, a sua amante e a sua mulher, enrolada em teus lençóis cor de esperança. Quando virar para o lado ... Segure-me pelos braços, eu estarei lá. Corpo e alma dançando entre teus sonhos reais. Em meu travesseiro, deixei o cheiro de suor do amor da noite passada, entranhado nas vestes cor de paixão. Minhas mãos são macias ... misturadas com a sua numa delicadeza fundamental. Somos fogo ardido em dias frios. Quando a lua iluminar o teu quarto, meu corpo estará junto ao teu, numa dança perfeita de peles finas. E a noite vai cair ... num desejo fortemente armado entre o bem e o mal misturados numa cama quente. Ao acordar, lembre-se da minha escova de dente junto da tua no banheiro. Junto do espelho que nossos olhos fitavam os corpos incansáveis de suor. Assim ... conjugue comigo os verbos da vida que voam ao alto. Lembre-se de olhar para meu rosto inchado logo pela manhã ... e lembre-se que quando a noite cair novamente eu estarei lá. Quando sair pela porta, lembre-se que o teu perfume estará impregnado em minha roupa. Roupa de pele; Roupa tão interna que nem outra alma poderia retirar. Assim ... a noite vai cair e meu corpo estará entre o teu, encaixada nos teus braços fortes, pequenos, finos e macios. Quando a noite cair, minha cabeça vai estar no teu ombro e meus lábios no teu pescoço. Assim ... não esqueça nunca que quando o dia nascer eu acordarei o seu corpo com um beijo e a sua alma com a minha. Quando entrar pela porta, lembre-se que estarei sorrindo e meus braços estarão gargalhando de tanta felicidade. Lembre-se que somos eu e você. O mundo é o mundo, mesmo sendo contra a nossa felicidade. Eles sabem o que é certo e errado. Nós sabemos o que é sorrir. Por isso, quando a noite cair, lembre-se de abraçar a minha alma. Lembre-se de sentir o meu cheiro. Será assim que esse eu inteiro será seu para sempre. Teu. Teu para sempre.

Ousadias em tempos.

Não sei muito bem o que pensar. Não sei nem exatamente o que sinto agora. Contudo, olho-me dentro de um espelho tão sujo que não sei se sou assim ou se a poeira da vida já consumiu o meu sorriso. Ora, ora. Grande caso cruel para despertar-se entre as muralhas escondidas sobre meus pés. Tenho certeza do que senti (...) e o que sinto completa a minha alma que antes, vazia, nem se quer soletrava algum tipo de felicidade. Andarei pela estrada ... Quantas ousadias estou fazendo comigo mesmo, eim?! Em uma ambiguidade comumente inesperada, transgrido-me a vento certeiro. Outra ousadia, meu Deus! Consegues escutar o meu pranto? O meu canto? O meu chamado? Escurecidos caminhos denominado vingança, cerca meus olhos numa maneira infiel. O que quero dizer agora? Infiel comigo mesma? Que nada ... isso tudo está perdendo a graça. Me sou de uma maneira que não queria ser. Traduzida em sons e sonhos que eu se quer, queria sentir. Sensações grotescas ao meu ver, vida. Gostaria, então, propor um trato entre o mim e o eu que você conhece muito bem - de vez em quando muito melhor que esse outro eu -, intervindo em uma vida que eu nem me meto a desvendar. Vamos lá, então?! Comece dizendo-me onde anda os pedaços de suspiro que taquei ao vento; O sorriso que deixei no espelho quando sai de casa hoje logo pela manhã. Que amanhã, eim tempo? Quantos momentos terei que suportar por causa de você? Estou de saco cheio de dialogar com as horas que aterrorizam os meus sonhos e largam as minhas mãos pedintes de carência. O pior, suspiros lançados ao vento que antes era o eu próprio de ser. Esse vento que, meu senhor tempo, taquei as migalhas do meu sorriso. Preste bem atenção, tudo permanece confuso nessa maneira mental de pensar. Lunática a ponto de viver. Quase lúcida a ponto de dormir. Ora, ora. Quantas horas terei que dizer para conseguir fazer as pazes contigo, tempo? Tempo, vida, vento, horas ... esqueci de fantasiar o eu e esti-lo com esperanças verdadeiras. Sem isso, sem nada de conceitos de verdadeiro ou falso; De certo e errado; De bem ou mal. Talvez eu seja o bem, ou mesmo, talvez eu seja o mal. Ultimamente ando tão confusa que nem sei mesmo se sou isso ou aquilo. Grande ou pequena. Morta ou viva.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Nada de escritora.

Às vezes, quase sempre, sinto que algumas pessoas acham que eu - no verbo de achar ser - vivo me confundindo com uma escritora. Aquelas, uma escritora de verdade. Fico meio perplexa, às vezes - quase sempre novamente, sinto vontade de nunca mais vir aqui. Que coisa. Nem sei ser eu mesma, quanto mais uma escritora. Viro e me reviro entre os lençóis que amenizam o meu frio e não entendo, ou mesmo, compreendo alguma solução para as palavras dessas pessoas. E, falando a verdade, não gostaria de ganhar dinheiro com essas palavrinhas que me escrevo aqui. Isso mesmo, não tentei colocar os pronomes nos lugares errados, é que me escrevo mesmo. Ao passo que, quanto mais me sou escrevendo, mas acho alguém que tenho vergonha de ser. Queria mesmo deixar essas palavrinhas voadores em uma caixinha coberta de chaves e fechaduras para que nunca pudessem chegar perto delas. Mas sabe? Elas não são minhas. Eu mesma, não sou mais minha. Sou do vento, do fogo e do frio. Sou da vida que quer arrebatar minha honra todas as vezes só porque eu digo que sou um pouquinho diferente. Imagino-me dentre aqueles ramos inconfundíveis de rosas espalhadas pelo campo, me vejo ali, ou não. Na verdade, já estou confusa novamente. (Fico tão confusa de vez em quando que nem sei se me chamo assim). A essa hora, já passou o dia e continuo escrevendo. Tento, na verdade, achar essa minha realidade que eu não sei. Aquela realidade que não existe, entre as palavras que sempre existiram e da alma que não é mais tão minha, senão da vida e do destino que honra as minhas vestes cor-de-esperança. Você gostaria de descobrir a cor da esperança? Deve ser a cor da alma. Contudo, disseram-me uma vez que as cores não existem ... Nem as dores, nem a felicidade e nem a nostalgia. Então, por que? Que universo conturbado e desesperador que vive me tirando a vida e dando-me  vivências pouco e/ou grande conspiradoras, redentoras de discórdias mal fundadas que me trazem esses poderes de sentir o que na verdade, não existe.Vivências que não me são reais. Nada ... nadinha de verdade, real. Nada real. Coisas difundidas entre perplexos mal organizados em minha mente tão infantil, as vezes, claro. De vez em quando. Realidades escritas em histórias mentirosas que me sobem a mente e trazem a tona o medo de ser eu. Eu de ser totalmente diferente do eu que sou. Vejam, nada de escritora cabe a mim. Nada de achar ser irritante-mente uma mente mal organizada de ideias sem sentido. Tudo muito mesclado entre o céu e o inferno. Entre a palavra e o silêncio.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ambiguidade.

Se eu pudesse definir-me nesta manhã arrebatadora, diria a qualquer pessoa que sou feita de uma ambiguidade tão intensa que não sei se sou lágrimas ou sorriso. Numa antítese de exageros mornamente quebradiços, nada é senão a mim própria um pedaço do vento.Nada de melancolia nesta manhã de sol. Ora, que estranho. Eu, tão esquisita amante da noite, falando de uma manhã de sol que queima meus olhos secando as lágrimas. Mas se virei vento, o que faço quando bater de cabeça no cume da montanha cerrada? Não sei. Não sei de nada como não sei de tudo. Tão exagerada de melancolias que se desdobram em sorrisos tortuosos e eloquentes. Diga-me sol, onde escondestes a minha lua? Pode dizer ... Agora sou vento, nada mais que isso. Preciso, mesmo, pedir uns conselhos para o vento que batia e cerrava meu rosto. Vento entra de acordo com o sol? Ah não ... nada mais de vento. Prefiro ser mar. Mas não se irrite, sol. Não gosto nada, nada do mar. Ele leva ... não traz, nunca trouxe. E olha lá, não gosto da perda. Na verdade, ninguém gosta da perda. Então sol, não fique enciumado com a minha vontade de ser mar. Não pretendo levar ninguém.Nem ser mar nem ser mal de mar. Nem comparativa e nem minimizada entre as tuas doces e fortes piscadas daí de cima. E nada disso, senhor sol. Estou pensando em voltar para minha lua. Tudo bem, ela abandonou-me pela solidão. Diga-me, então (...) Se és apaixonado por ela, porque nunca lutou? Podias virar vento, o que é que tem? Podia ser mar. Se não gosta do fria, fosses quente. Algum problema? Podia ter lutado por ela, mas, agora, ela é minha. Não só minha. É da solidão. Não se irrite com todos os meus pontos finais e minha vírgulas que me deixam respirar. Eu estou tentando não ser mais vento e não tocar mais a montanha e queria a sua ajuda. Não quero chegar perto de você, desculpe. Não gosto de quente (...) Não se sinta só, se quiser, empresto a minha solidão que está lá com a lua. Desculpe pelo preconceito. Meus conceitos sobre você estão antes de todos os conceitos que eu nem conheço ainda. Mas da lua? Sei que não sei de nada, nem do seu amor por ela. Não deveria tê-la deixado, sabes disso. E se, você for um Deus que queima meu rosto a cada dia em pé, peço-lhe que me deixe viver só a noite. Pode ser sem estrelas. Quer ficar com elas? Não as gosto muito. Todos gostam-na. Tudo bem, todos gostam da lua ... Mas eu gosto-na tanto que nem sei explicar. Mas sou a ambiguidade em pessoa. Bom, se é que posso ser chamada de pessoa. Na verdade, nem sei mais o que é pessoa. Tem tanta pessoa aí que não é pessoa. Fico triste, Sol. Posso chamá-lo assim? Que coisa. Se eu colocar o mesmo artigo que uso antes do meu nome, no seu, ainda gostaria da Lua? Seria A Sol apaixonada pela Lua. Gostaria mesmo assim? Aí mesmo que não teria coragem de lutar por ela. Sabe, não gosto muito de você. A culpa é toda sua? Sei que não. Mas gosto da lua mesmo assim. Vou dormir para chegar a noite. Amanhã encontro com você novamente.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Queres-me, lua?



Se eu, querida Lua, disser-lhe esta noite que não estou sub você e que estou intra você, acreditaria em mim? São muitas vírgulas e muitos pontos para mudar a bela vontade de ultrapassar suas sombras com cantos inusitados. Tudo bem, eu não consigo olhar-te sem molhar meus olhos de lágrimas geladas. Então, vamos conversar essa noite? Só eu e você. Fica ao seu critério trazer a solidão. Contudo, apenas se quiser. Não quero me separar de você nesta madrugada sombria. Assim, minha alma nada sente senão a frieza com que me olhas essa noite. Porque? Estou tão lunática a ponto de quereres deixar-me e procurar outra alma viva. Tão mais viva que a minha morta vida? E a solidão? Se quiseres trocar-me por sua presença, esteja a vontade de fazê-la. Estou tão só quanto você, esta noite. Apenas esta noite. Porém, me responda, por favor. Estou enxergando paisagens que não existem. Estou vendo problemas consumindo lentamente essa minha alma que chama, clama e chora por tua presença. No fundo, está tudo correndo bem? Posso gritar? Ouviria desse teu lugar? Estou intra ti, minha linda lua. Esta noite, não existe cor, dor e palavras. Nada disso (...) Convidando os gritos de alguém que nem sei quem. Pedindo tuas mãos donde nem sei onde. Tudo assim, numa linha contínua inadequada para as crianças que estão assistindo a televisão na sala esta noite. Tão pavoroso que nem eu, criança por mim mesma, consigo ficar aqui, olhando-te sem tocar-te. Consegues segurar a minha mão? Estou dentro de você esta noite, nem abaixo, nem em cima. Estou pulando em tuas duras e geladas pernas que abraçam o mundo, ou, mesmo, meu mundo. Estava com saudade, por isso, hoje estou aqui. Espero realmente que não tenha me trocado pela solidão.Então, estou esperando-a para dançarmos esta noite sobre a sua própria luz, ou sob, não tem problema. Estou esperando-a para segurar meus pés e colocar-me de cabeça para baixo, assim, sem um pouquinho de pena. Estou pronta para dar-te minha alma, sem corpo, sem nada. Então, mais uma vez, ficaria comigo esta noite? Estou tão só, até minha solidão está contigo.