Visitantes.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Vômitos de sentimentos.

E grita e cala. E consente e clama. E chora e esvanece. E aparece e desaparece. E inerte em gelos trépidos se escurece junto à máscara de sabor feliz e amigável e sadia. E, a partir dos "es" comemora-se uma falsidade real que torna-se um viver estável e lamentável no decorrer dos sorrisos amarelados doados não voluntariamente de forma roubada quase estuprada do próprio eu de dores e pavores e horrores com angústias que saem do peito sem hora de terminar e sem pontos para respirar quando, talvez, só resta-me esperar. Mas, agora, o gargalo de lágrimas tornou-se fluente nesta manhã de sol. E, sem saber como continuar a proclamar essas palavras ditas como vômitos, estou aqui, congelada pelo calor e angústia que arde no peito de fulgor. Sem saber como continuar escrevo-me, neste momento, refluxos de palavras que vão e voltam pelo percurso mais tortuoso entre o pulmão, coração e  garganta que reparte os sentimentos e o devolvem para minha respiração encralacada de deveres mal criados. Devo-me aqui, encontrar-me em mim, este restante do ser pálido e estupefato que encontro-me neste momento de ardência dos sentidos. Queimando. Cozinhando. Paralelamente ao meu entusiasmo de sair desta pele qual chamo carne, enredo-me da cama para continuar vomitando e engolindo suspiros de maledicências que se sobrepõe a esses inconstantes erros que denunciam-me a mim mesma. Estes, estas ... estas máscaras pintadas de preto e branco e enraizando pela pele que lhe cabe. Ora, cabe-te minha máscara qual tentei desprender de mim tempos atrás? Ou a vergonha de ser quem me sou e tanto dando de mim que não me pertenço mais? Ora, convenções tanto me enojam que me arredam do mundo de forma dolorida, dolorosa e compactuante. Ora, o que faço com estes sentimentos que sempre expus como espinhas entranhadas que machucam e ferem e enfeiam a pele e deixam marcas? Ora, faço-me quem quando não posso ser eu? Faço-me aquela quando não puder ser esta? E, agora, guardo a angústia para mim nesse sentido de ser vida sem ser vivida e pertencente à máscara preta e branca? Talvez seja assim. Eu, numa inocência conflituante pego-me tentando me ser e contribuindo para o deixar fazerem de mim o que não sou? Deixou, então, que estuprem minha mente de saberes fictícios que condiz normas ilusórias e desgraças compensatórias para esta realidade vivida? Ora, o que faço com esta máscara que tanto já tirei de mim e insistem em colocar? Perdoe-me estas palavras novamente vomitada de angústias e sentimentos sem saber muito o que diz em sentimentos mal colocados e apavorados que sobressaem nesta tarde. Deixo-me aqui tentando retirar de minhas entranhas esse mal que aflige meus olhos e o fazem tremer de raiva. E de angústias. E de manuseios contrapostos em colorantes falsos e desbotados que insiste em pintar-me. 
Ora, o que faço agora com este refluxo e fluxo de sentimentos desnudos e estragados que invadem minha carne e minha alma e minha pele e minha boca e meus olhos e meus dedos? O que faço agora com esta máscara que tanto odeio e me consome de terror e conformidade? Não gosto de conformidades, meus caros. Não gosto de máscaras, meus caros. Não gosto de promessas não cumpridas, meus caros. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Que difícil escrever sobre o amor (...)


Gostaria de escrever mais um pouco sobre amor. Porém, vejo-me aqui, despida entre minhas linhas mal escritas. E vejo o quão difícil é escrever sobre amor. Amor, amor, amor. Sempre acreditei ser fácil falar sobre ele. Ele, banhado por sentimentos grandiosos que se dilaceravam com sentimentos fortes, porém difíceis, ruins, maltratados, doídos, pesarosos. Mas eu descobri que amor não é feito disso. Amor não é encoberto de angústias. Amor não é dor nem raiva nem medo. Amor é isso, não aquilo. É sentimento que escorre em minhas entranhas transbordando felicidade. É ser, estar, complementar. Não é fui nem estive. É agora. É nesse exato momento. É pelo resto da minha vida. Por isto eu digo, que difícil escrever sobre o amor sem dor. Eu, esta aqui qual sempre esteve perdida na solidão ... achada no véu da noite apenas com a presença da lua, caio sob os braços reais - não mais imagináveis - de minha doce mulher. Esta, qual posso escorregar entre os lábios, as mãos e os braços e os olhos e a boca, tornando-se nós morrendo de tanto amor. E eu morro de amores por ela. Tanto que esqueço de viver sofrendo. Daquele jeito, como antes. Digo-te que, agora, esqueci a dor do amor. Transbordou em mim a natureza do amar real. Sem metades, ou fim, ou qualquer gota de sofrimento. Sim, é claro, sentimentos tão cheios de liberdade que ocorreu-me deixar meu outro lado poético. O lado da dor. Dor, dor, dor (...) não mais conivente com o amor. Estou livre para amar, livre para sentir, livre para buscar meu futuro. Sem dor. Sem, com s. Por isto, que tarefa difícil escrever sobre o amor já que até essa frase tenho que repetir tantas vezes para ver se algo bom sai daqui. Mas sabe? Sai de mim amor, sem ressentimentos ou sorrisos tristes e amarelados pelo tempo duvidoso. Sai de mim sorriso. Sai de mim alegria dita pelo olhar confuso de tantos sentimentos bons misturados e querendo sair do meu corpo e do meu coração. Ah! Coração! Respiro aliviada apenas por ver teu alívio. Teu enigma foi revelado. Aquele, repleto de angústias querendo sair do peito. Agora, torno-me isto, o outro lado da minha essência. O outro lado do meu corpo. O outro lado da minha realidade ou i(realidade) que tanto me sobressaiu. Aqui, permaneço sentindo o amor sem saber como escrever sobre ele da maneira que o estou sentindo. Aprendi a escrevê-lo em comunhão com a dor e, agora, tento decifrá-lo para transportá-lo até aqui junto/acoplado à felicidade.
Por isso, difícil escrever sobre o amor. Se meu amor penetra na realidade, alcança os sonhos mais profundos e volta para teu olhar que me tira a fala, e as palavras e os sentidos. Tão sua permaneço que esqueço, quase sempre de sofrer de amor. Sofrer de amor.
Pois sim, a felicidade agora me transborda até a alma.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Nós duas, sem regras.

Eu e você.
Lá fora preconceitos se esvanecem com o frio e o ódio. Aqui dentro há liberdade. Mais que isso, não menos, encontra-se amor. Amor no mais puro limite de amar. Amor com espaços lotados, nada de vazio. Ou melhor, vazio só o significado da dor. Sonho, aqui, diante do mais límpido e lindo destino de sonhar. Faço-me tua, inteiramente rodopiante entre teus olhos purpurinados de beleza. Eis-me tua aprisionada à liberdade ofertada por teu sorriso. Aqui, nada mais de esconderijos para nosso amor. Somos carne, desejo e imensidão. Somos alma. Somos sorrisos. Somos lágrimas de paixão. Assim, desconcertante imitador de sonhos bons atravessados em teus lindos olhos, novamente. Teus olhos, tua boca, tuas mãos, tudo misturado ao desafio de não poder estar contigo todo o tempo da minha vida. Eis-me eu, capacitada para amar. Amar no sentido de não mais sofrer e ser livre e voltar e continuar ao teu lado. Eu, sem medo, sem desespero, sem dúvidas do que acontece entre mim e você. Aqui, sou tua e sempre serei tua.
Deixo lá fora pesadelos inconstantes, estes, quais, adormeciam meus pensamentos e traziam fantasmas conscientes. Aprisionados, eles, dentro de um eu não mais eu. Aqueles, lá longe, não atrapalhem nosso amor. Pois, este nosso amor é purgante que arde e queima e vibra e tece os dias de alegria que oferta estando ao meu lado. Este teu amor que me enche de palavras bonitas fazendo-me embebedar de felicidade com teu beijo. Mas, aqueles lá fora que continuam reprimindo seus insanos desejos. Que continuem quebrando espelhos, pois, meu reflexo, este, não é amedrontado pelas palavras de raiva que caem sobre suas linhas tortas. Estou aqui, amando e respirando. Aqui, com meu reflexo urgindo de alegria e desejo. Aqui, longe de ironias e despejos. Longe da inércia de amar de acordo com as regras. Eu amo, amo da maneira que eu quiser. Apaixono-me e encanto-me de fulgor, de claridade, de paixão. Amo você com a pressa de te amar hoje e a calma de te amar para sempre.