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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Leve.

Leve,
Seja leve,
Com a leveza de se encontrar
Em sua mais imensa alma.

Leve,
Toda a dor que sente
Transponha se de leveza
De mar, de céu, 
De vida inteira.

Leve,
Leve como o cantarolar
Como a paz que emana 
Sente
Como leve



Leve a dor
e fique
Leve.

Ora eu, ora não.

Estou num momento ínfimo (ou íntimo) de mim. Ora sei, ora não. Num conglomerado insuportável de exaustão. Ora sou eu, ora não. O que dizer desse tempo tão caloroso onde minhas vestimentas de saber devem ser suficientemente acopladoras de cientificidade. Eu era simplesmente (naquela minha inteira mania de ser), eu. Apenas. Hoje nada mais me resta que a exatidão das palavras escritas estruturalmente e bem ditas. Antes, eu. Eu numa névoa apenas de sentir-me. E agora nada mais sinto, nada mais sou. Nada mais de poesia em contrapartida ao saber estipulado para o hoje. O hoje tecendo o amanhã. O hoje - providenciando outra versão do eu - de mim, tão mais lúcido e maduro. Mas ora (hum!), não quero ser matura. Não, não queria ser madura. Hoje me quero ser. Quero num sentindo de querer forçado de mim própria. Um lado choroso (de ontem) - calorento, eloquente, vestido de ares e plumas mágicas de poemas. Um lado da seriedade (de hoje), - de vestimentas poderosas, científicas, estruturadas. E seria eu, agora, um pedaço de tudo o que quiseram que eu fosse. Aqui, bem vestida, manejando poderes egóicos, firme, estática, lúcida, responsável, mulher, sorridente, e amante (e amável) e feliz. Toda dentro de um modo meu que não me pertence. Nada, nada mesmo. E crio ilusões de uma eu inexistente. Caída dentro de mim mesma. Em pedaços. Recriada. Re-orientada. Re-estabelecida. Sem a essência instável que me pertencia. Ora sim, ora não. Dona de minhas próprias dores poéticas e (i)maturas. Sempre. Essas que fazem doer o coração e ser pedinte (de mim mesma) por mais espaços onde poderia me ser. Ser, só ser. Só me ser. Enfatizando! Recriando-me em fases de lua onde aqui, num espaço lunático, estive. Aquela, lá, incorporada de defeitos reproduzidos. Meus defeitos. Como aqui, agora, despedaçando-me de saudades pelo que fui, que era, que sofria em ser. Uma nítida sofredora de carmas enraizados e sentidos dentro de minha alma. Alma lunática. Alma pavorosa travestida de monstros e fantasmas nos arredores de minha própria carne crua. Nitidamente, perdi-me de mim. Perdi-me no espaço conglomerado de mim(s). Prometi-me ser mais, responsavelmente, mais que mais. Hoje, estou aqui, perdida entre meus novos fantasmas da responsabilidade. Dentro da maturidade. Mudaram, refizeram-se (eu mesma). Não são mais meus (de ontem). São meus (de hoje). E me crio, me procuro, me busco naquilo que tanto deixei para trás: as entrelinhas das poesias que escrevia sobre o ontem que eu pertencia. Apenas um momento meu, só meu. Meu dentro destas palavras amedrontantes.