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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Querido diário.

Querido diário,


Hoje parei para escrever-te.

Hoje me bateu uma saudade - não que eu não estivesse com saudades antes - não, longe de mim. Porém, estive revivendo-o e lembrei do quanto você foi fiel em todos os momentos mais difíceis de minha vida. E eu não quero - e não posso - compactuar com o outro lado tão científico de mim qual esqueceu do lado que tem você. Estive muito tempo pensando em palavras difíceis, meios corretos para definir meu eu profissional que esqueci de ti. Compactuando com isso, esqueci de mim. 
Aquele mim que apenas você conhece. Aquele, cheio de dores, pavores, e, antes de tudo, repleto de intensidade. Repleto de calores e fingimentos qual alcançam a minha alma pavorosa. Ontem, você deu-me todos os passos irredutíveis. Deu-me meu reflexo quebrado; Minhas características mais intensas. No ontem, cravei a dor em palavras; tirei-as sangue; brotei-lhe gotas de suor vermelho. 
Por isso, venho lhe escrever (...)
Sob reticências. 
Sob véus.
Sob redenções.
E perdões.
Pois hoje eu me encontro numa maturidade mais cruel ainda. Cheia de expectativas assassinas que trazem-me um futuro. Sem dores de amor; repleto de dores do peso do mundo. Hoje escrevo sobre saberes não meus, todos tão cientificizados onde as  palavras não mais doloridas rebatem apenas uma terceira pessoa bem longe de mim. Por isso escrevo-te novamente (...)
Estou salvando-me de mim!
Pretendo buscar o outro eu para salvar-me deste lado tão gelado e frio e sem sabores e amores. Pretendo buscar-me intensamente naquelas dores solitárias que confundiam-me solidão e luares pavorosos com fantasmas tão presentes em mim.
Hoje escrevo-te para isso.
Para salvar-me! E dizer-lhe que estou morrendo - de verdade - em saudades de achar aquele mim tão surreal que tanto deixei lá para trás.
Difícil escrever-te (...) pois você é tudo aquilo que tiro do mais ínfimo de mim. Dizer-me hoje é tão difícil como era salvar-me das dores naquela época de tanta imaturidade. (i)maturidade que descrevia tudo o que eu era, que me constituiu e toda a intensidade de que sou.
Porque eu sou! 
Porque você sou eu!
e toda aquela história de trazer a tona o lado mais difícil de mim, caiu num terreno difícil de lidar.
Prometo que volto aqui para traduzir-me, novamente.
Porque sinto saudades...

Suspiros e saudades

Em minhas mãos deleito-te
Com medidas inseparáveis
de mulher em meu manto
de um saber irreparável.

Eu suei junto ao teu corpo
com nossos lábios molhados,
e, encostei minha pele na tua
com gemidos apropriados.

Eu te dei a minh'alma
sem pedir nada em troca
só teu gozo em meu gozo
entre minha língua morna.

Eu segurei entre teus dedos
para gritar-te entre os lábios
e beijar lhe teus cantos
todo, em cada parte.

E, hoje, grito que saudade
de arrancar lhe suspiros
arrepiar tua carne
tirar-lhe os sentidos.