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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Voltei, adeus.


Eu só queria dizer que voltei, solidão. Eu só queria gritar para que me escutasse (...) mas não tenho forças. Não tenho ar. Minhas lágrimas congelaram, meu coração chora. Clama. Dói. Dói muito. Dói tanto. Não sei falar, só sei dizer. E fico aqui porque me conheço aqui. Só aqui. As palavras são tão cortantes, não sei medir (...) mas já me cortam a alma que sangra. Sangra tanto. Sangra pelos olhos, pela carne. Carne cortada e recortada. Carne raivosa! E alma sangrenta. Eu só não queria estar aqui. Não podia estar aqui, de novo! Por várias vezes esta alma tranquilizou e, agora, me corta. Me arranha. Me despedaça. Me emaranha. Me bate. Me mata. Me leva pra sempre. Mas eu não consigo gritar, eu não consigo falar, eu não consigo propor eu só consigo morrer. Lentamente. Desesperadamente. Copiosamente. Travestidamente. Em que momento isso aconteceu? Se eu não consigo me ver e rever. O que aconteceu, se eu agora estou pulsante e fervorosa diante dessas linhas machucadas e apoderadas de dores sem sentido algum? O que fazer, agora, se a minha alma chora e eu não a encontro mais para me dar as mãos? Se o meu corpo grita e meu coração agita, de dores e de pavores de uma manhã dolorosa. De lágrimas e contornos, de melodias e sabores, de amargura e fraquejos (...) o que eu faço agora se eu preciso recompor-me, e minha alma não se firma, não luta, não produz (...) significados. Mas eu choro, e eu engulo, e eu arredo, e eu me enfraqueço e eu me possuo e eu me deixo, e eu não consigo mais respirar, agora. O que eu fiz comigo?! O que eu fiz, comigo? O que eu fiz com você, coração? O que eu fiz com você, solidão?! Se eu lembro muito bem que era você que me fazia suportar a minha dor. Se hoje eu lembro, estou fraca, fraquejada e fragilizada. Estou inerte e meu corpo, agora, depois de tanto gritar e cortar e soluçar, está aqui, parado. Sem asas. E meus dedos, conflitantes, tecendo em linhas o que não pode ser explicado por mim. Mas eu só gritei, e continuo a gritar. Dentro, por dentro. Eu não consigo me olhar. 
O que eu fiz comigo? Se eu não consigo, agora, respirar.

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