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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Arfada

Eu segurei em meus ombros doloridos ... minha cabeça. Fervorosas e pulsantes fazendo ponte com meu coração. Ardia, fervia. Em minha carne profunda, destilei me de insegurança e traços de dor. Mas como dói essa dor do amor!! Criada pela incompletude de me sentir,  anestesiada pela triste história de me ser. Sempre a mesma tecla travestida de ilusão.

Fecha a porta.
Tranquei me entre orgulho,
raiva e paixão.

títulos vazios

Estou fadada a este carma eterno. Pesares me são atribuídos e me travo em ligeiras frases hostis. Não sei o que há, o que houve, o que haverá. Sei, aqui, estar imersa em solidão. Esta qual criei em mim. Abro a porta pra sua entrada. Traga rosas espinhosas, pois, sou toda sangue escorregadio. Só toda carne de tremor passivo. Sou toda pétala despedaçada, intrigada, deitada pelo chão. Tu passas com carinho lá,  sopra em meu destino, leva me pra longe de mim. Mil pedaços são a resposta, do prazer e do encanto,  somados às veste, sem dúvida, cheios de tropeços. Apareço aqui, nua, com as portas abertas de meu corpo, de minha alma. Chamo te, solidão. Suspiro teu nome nesta noite, pode ser, entrar sem licença. Sem problemas. Com poemas. Sou ex poeta sem nomes. Sem endereço. Esta porta qual lê abro chama alma, toda encarecida e aspirante de um novo arfar de emoções. Tome te este corpo. Faz de mim teu bem, teu precipício curioso.


Olhares.




Olhar te como corpo,
De sabores, de manias
Olhar te como alma,
Desgarrada, prometida.

Olhar te como riso,
bem baixinho, passageiro
Olhar te como vida,
Bem ligeira, sem medidas.

Olhar te como ré,
Deste nosso destino,
Traduzindo as vestes
De um futuro prometido

Passado imaturo.

Prazer,
Chamo me passado. Chamo me saudade. Prazeres, esses tão (in) fundados. Tão pouco prováveis. Menos protagonista. Mas, chamo me hoje um eu do futuro. Sem tempo para uma xícara de chá no fim de tarde. Ou mesmo, um copo de café. Chamo me saudade. Sem vírgulas. Sem nome-ados. Saudade que só nós temos. Aqui, fecho os olhos pra mim mesma.
Prazer, sou um eu compromissado.
Sou um juiz do meu tempo. Sem tempo. Sem alma. Sou eu, pavorosa diante do espelho. Esquecida do passado. Ofegante pro futuro. Aqui, não preciso preocupar me, nem atarefar me. Aqui, só preciso ser quem sou. Sem máscaras. Sem promessas de futuros regados a palavras mortas. Ow! Palavras nunca estarão mortas. Estão flutuando. Estão a dois palmos do chão. Eu, aterrizada aqui, despeço me dos vôos das palavras de compaixão. Não há espaço nessa nova vida que me cerca. Nem pra sorrir ou respirar. Sobra espaço pra maturidade - essa mesma aterrada ao chão. Sobra espaço pro meu eu de hoje. Perguntas bobas, palavras aleatórias não são mais fruto de minha abertura pragmática. Sou toda terra. Toda suporte. Toda eu que sou.
Prazer, me chamo promessa.
Não há mais tempo para voos. Não há mais tempo para brincar com palavras vivas e pulsantes que arrancavam a minha veia e expeliam o sangue da minha consciência mais funda. Funda. Sou agora mais superficial. As palavras me consomem. O dia a dia me cerca. Nada mais de versos imprevisíveis, de textos mal arrumados. Textos que me colocavam no lugar que era. Que saudade. A solidão espreitava se em minha janela. A lua, minha melhor amiga, beijava meus cabelos num ninho eterno. A névoa encobria meus olhos. Era aquilo, as palavras flamejantes. A lágrima dolorosa. O espelho em conjunto do tempo. Era isso, era eu. Hoje, encoberta de deveres, me pego em surto e com saudade de mim. As dores das palavras vivas revigoravam minha estadia aqui. E eu, nesse milímetro constante, sou hoje o que nunca seria ontem.


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Querido diário.

Querido diário,


Hoje parei para escrever-te.

Hoje me bateu uma saudade - não que eu não estivesse com saudades antes - não, longe de mim. Porém, estive revivendo-o e lembrei do quanto você foi fiel em todos os momentos mais difíceis de minha vida. E eu não quero - e não posso - compactuar com o outro lado tão científico de mim qual esqueceu do lado que tem você. Estive muito tempo pensando em palavras difíceis, meios corretos para definir meu eu profissional que esqueci de ti. Compactuando com isso, esqueci de mim. 
Aquele mim que apenas você conhece. Aquele, cheio de dores, pavores, e, antes de tudo, repleto de intensidade. Repleto de calores e fingimentos qual alcançam a minha alma pavorosa. Ontem, você deu-me todos os passos irredutíveis. Deu-me meu reflexo quebrado; Minhas características mais intensas. No ontem, cravei a dor em palavras; tirei-as sangue; brotei-lhe gotas de suor vermelho. 
Por isso, venho lhe escrever (...)
Sob reticências. 
Sob véus.
Sob redenções.
E perdões.
Pois hoje eu me encontro numa maturidade mais cruel ainda. Cheia de expectativas assassinas que trazem-me um futuro. Sem dores de amor; repleto de dores do peso do mundo. Hoje escrevo sobre saberes não meus, todos tão cientificizados onde as  palavras não mais doloridas rebatem apenas uma terceira pessoa bem longe de mim. Por isso escrevo-te novamente (...)
Estou salvando-me de mim!
Pretendo buscar o outro eu para salvar-me deste lado tão gelado e frio e sem sabores e amores. Pretendo buscar-me intensamente naquelas dores solitárias que confundiam-me solidão e luares pavorosos com fantasmas tão presentes em mim.
Hoje escrevo-te para isso.
Para salvar-me! E dizer-lhe que estou morrendo - de verdade - em saudades de achar aquele mim tão surreal que tanto deixei lá para trás.
Difícil escrever-te (...) pois você é tudo aquilo que tiro do mais ínfimo de mim. Dizer-me hoje é tão difícil como era salvar-me das dores naquela época de tanta imaturidade. (i)maturidade que descrevia tudo o que eu era, que me constituiu e toda a intensidade de que sou.
Porque eu sou! 
Porque você sou eu!
e toda aquela história de trazer a tona o lado mais difícil de mim, caiu num terreno difícil de lidar.
Prometo que volto aqui para traduzir-me, novamente.
Porque sinto saudades...

Suspiros e saudades

Em minhas mãos deleito-te
Com medidas inseparáveis
de mulher em meu manto
de um saber irreparável.

Eu suei junto ao teu corpo
com nossos lábios molhados,
e, encostei minha pele na tua
com gemidos apropriados.

Eu te dei a minh'alma
sem pedir nada em troca
só teu gozo em meu gozo
entre minha língua morna.

Eu segurei entre teus dedos
para gritar-te entre os lábios
e beijar lhe teus cantos
todo, em cada parte.

E, hoje, grito que saudade
de arrancar lhe suspiros
arrepiar tua carne
tirar-lhe os sentidos.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Leve.

Leve,
Seja leve,
Com a leveza de se encontrar
Em sua mais imensa alma.

Leve,
Toda a dor que sente
Transponha se de leveza
De mar, de céu, 
De vida inteira.

Leve,
Leve como o cantarolar
Como a paz que emana 
Sente
Como leve



Leve a dor
e fique
Leve.

Ora eu, ora não.

Estou num momento ínfimo (ou íntimo) de mim. Ora sei, ora não. Num conglomerado insuportável de exaustão. Ora sou eu, ora não. O que dizer desse tempo tão caloroso onde minhas vestimentas de saber devem ser suficientemente acopladoras de cientificidade. Eu era simplesmente (naquela minha inteira mania de ser), eu. Apenas. Hoje nada mais me resta que a exatidão das palavras escritas estruturalmente e bem ditas. Antes, eu. Eu numa névoa apenas de sentir-me. E agora nada mais sinto, nada mais sou. Nada mais de poesia em contrapartida ao saber estipulado para o hoje. O hoje tecendo o amanhã. O hoje - providenciando outra versão do eu - de mim, tão mais lúcido e maduro. Mas ora (hum!), não quero ser matura. Não, não queria ser madura. Hoje me quero ser. Quero num sentindo de querer forçado de mim própria. Um lado choroso (de ontem) - calorento, eloquente, vestido de ares e plumas mágicas de poemas. Um lado da seriedade (de hoje), - de vestimentas poderosas, científicas, estruturadas. E seria eu, agora, um pedaço de tudo o que quiseram que eu fosse. Aqui, bem vestida, manejando poderes egóicos, firme, estática, lúcida, responsável, mulher, sorridente, e amante (e amável) e feliz. Toda dentro de um modo meu que não me pertence. Nada, nada mesmo. E crio ilusões de uma eu inexistente. Caída dentro de mim mesma. Em pedaços. Recriada. Re-orientada. Re-estabelecida. Sem a essência instável que me pertencia. Ora sim, ora não. Dona de minhas próprias dores poéticas e (i)maturas. Sempre. Essas que fazem doer o coração e ser pedinte (de mim mesma) por mais espaços onde poderia me ser. Ser, só ser. Só me ser. Enfatizando! Recriando-me em fases de lua onde aqui, num espaço lunático, estive. Aquela, lá, incorporada de defeitos reproduzidos. Meus defeitos. Como aqui, agora, despedaçando-me de saudades pelo que fui, que era, que sofria em ser. Uma nítida sofredora de carmas enraizados e sentidos dentro de minha alma. Alma lunática. Alma pavorosa travestida de monstros e fantasmas nos arredores de minha própria carne crua. Nitidamente, perdi-me de mim. Perdi-me no espaço conglomerado de mim(s). Prometi-me ser mais, responsavelmente, mais que mais. Hoje, estou aqui, perdida entre meus novos fantasmas da responsabilidade. Dentro da maturidade. Mudaram, refizeram-se (eu mesma). Não são mais meus (de ontem). São meus (de hoje). E me crio, me procuro, me busco naquilo que tanto deixei para trás: as entrelinhas das poesias que escrevia sobre o ontem que eu pertencia. Apenas um momento meu, só meu. Meu dentro destas palavras amedrontantes. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Alma livre

Falta me um pouco de mim nesta noite. Preciso conversar comigo mais. Sim, mais um pouco. Perdi em mim toda a capacidade de afogar minhas palavras em dores mortíferas. Perdi em mim essa fortaleza de misericórdia de mim mesma. Ou melhor, não sei onde escondi o manejo de minha alma pesada e sombria. Esta noite minha alma - agora - sente alívio e cheiro de liberdade. Ora, liberdade com o mínimo do que restou de solidão. Na verdade, perguntando a mim, não existe solidão nesta noite em que estou sozinha em meu quarto. Não existe sentimentos ruins, não existe nem a lua qual tão parceira mudou de lado e encontrou alguém mais triste e mais precisado do que eu. Nessa minha virtude em ser eu, lembro me que estou sozinha aqui mas nem a solidão encontro mais. Sinto meu coração repleto de magia. Sinto esta minha alma repleta de Beijos quentes e sabores e amores. Não encontro nenhuma parte do que deixei um tempo atrás (...) medo, desesperança, raiva, ciúme, ingratidão, dor e paixão sombria. Encontro me aqui, sozinha nesta noite fria de inverno, mas tão repleta e completa do eu que sou agora que chega a gelar a espinha. Que difícil! Difícil escrever sentimentos tão bons que escorregam pelos olhos com gosto de quero mais. Que difícil encontrar o eu escondido nas trevas que deixei para trás. Difícil encontrar minha alma perdida qual deixei vagando pelas noites infinitas do inverno hostil. Esta noite estou apenas com minha alma livre (...) livre do pavor e do gelado vento que vinha de todos os cantos beijar a minha pele. Hoje não existem espelhos quebrados e nem lua maltratada. Hoje não existe palavras cortadas e retratadas num incansável desejo de ir me embora de mim. Mas aqui estou, sem mais. Aqui estou sem a alma que sofria, a que implorava e a que nada desejava senão de noites mais claras. Estou achada num eu que não conhecia e, para falar a verdade, difícil é falar sobre esse novo eu que tem a alma leve, sem palavras cheiradas à (mal)ditas. Aqui estou. Aqui, eu, num novo eu que descubro a cada dia nessas oscilações de felicidade extrema. Que alma corajosa, não é mesmo?

Minha alma tua alma


Minha alma sente, nesta noite de sentir, palavras chaves no campo de batalha que tornou se minha razão. Eu segurei em minhas mãos meu coração e entreguei cada parte da minha vida à você. Por isto minha alma sente (...) sente tão desesperadamente que chega ser risível. Minha alma sente a tua de maneira tão infundada que nem sei o que faz parte de mim e o que faz parte de você. Minha alma sente, esta noite, paixão descontrolada e revestida de amor. Batalhas encontram se no ventre de minha carne armazenadas com o feitiço de ilusão. Batalhas estas descendentes do amor, do ódio e da paixão.