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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Destino desatino.

Se eu desse-te minha moura, tenderia a mudar? Com cajados de fogo, sem calor, me alcançar. Sem incensos;No caminho... caminhas. Pois estas linhas nada são, senão barulhos em silêncio de uma vida posta de antemão. Não! Esperem! Não acreditem em poesia (...) apenas embaralham a mente exagerada de outrem que desapareceu em alguns pedaços mastigados de sílabas (in)completas. O destino foge pelas minhas mãos de aço; Aço queimado. Mal amado. As sílabas reverberam a ousadia do quinhão. Se, então, de algum lugar pudesse, eu, gritar, meu sujeito ficaria em sua repleta ordem e não precisaria de vírgulas mal organizadas para dançar entre essas palavras desatinadas ao vento impróprio.  Vento que voa contra. Vento que voa longe demais do eu, do mim, transformando sujeito em passivos de ordem do destino. Esse meu silêncio me seria, então, des(real), rimando infinitas vezes com as vozes roucas dos constantes pesares maquilados em desatinos do tempo. Porém agora, meu caro amigo, os gemidos são em mim constantes jogos de ventos ferozes e vorazes. Os desatinos não me são mais ocasionais. O destino me é quase que esquisito, me sinto como caindo no buraco do tempo. Sinto-me emparelhada com pequenos pedaços da aurea do vento que vira e meche me segura e me puxa pelas mãos.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Corre tempo. Para.

Hoje já é dia 13; Que crueldade com você,  querido diário. Estou esquecendo tanto de você quanto de mim. Não é a toa que dizem que hoje em dia o tempo passa tão rápido que nem vemos a vida passar. Não gosto, particularmente, de prestar atenção em algumas opiniões dos seres humanos - prefiro os animais -. Que realidade inútil! Viver sem perceber estar vivendo não deveria fazer  parte da vida de nós, tão racionais. Tanto de (ir)racionais que nem sei diferenciar, exceto pelo carinho e amor que ganho dos animais - tanto de tanto amor. Sinto-me como uma grande águia, querido diário. Porém, inerte aos sentidos que eu, tão claramente inútil me tornei devido ao tempo; Este tempo que corre rápido depressa e que não me deixa voar de verdade. Apenas, apenas de uma maneira corriqueira e inanimada. Contudo, querido diário, permaneço no mesmo local em que sempre estive. Dentre - tão fora - do que sempre chamei de "mim". O mim diferente do eu. Tão diferentes como pronomes oblíquos e pessoais. Não, não estou tão pessoal assim para ser eu. Se, talvez, quem sabe, ser pessoal, que seja tu e eu misturado com o nós. Nós duas ou nós dois, querido diário. Eu e ela sempre! Porém, como águia desbravando o tempo que me consome, prefiro o mim; Mim misturado com alma. O mim que por regras não pode fazer nada mas que talvez, eu use até antes de algum verbo por aí. Por isso, querido diário, sou hoje uma águia - minúscula- de pequenas asas. Aquelas grandes capazes de abraçar ao mundo, dissiparam-se com o tempo; Tempo enrolado com fantasias mal organizadas. Por isso, desculpe se ando-me tão distraída em meio ao tempo. Minhas asas estão cortadas e amarradas com o ponteiro do relógio que corre e voa mais que minhas próprias asas. Estou com saudades de você, querido diário.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ano que chega.

O ano acaba; Junto de meus dedos molhados de chuva, abraço meu corpo diante ao mar. Acabou! Um pedaço do céu mergulhado de insatisfeitos desejos mortos vão embora junto, ou melhor, de mãos dadas ao lado da brisa fria da noite. Meus dedos cansados e saudosos em escritas mal ditas encobrem meus adeus aos azarados medos. Minha língua cansada descobre os perdões aos dias em que deixei de viver. O amanhã virou hoje; Um novo ano de amores cuidados e sofrimentos perdoados. Desculpados de coração. Quando a lua amarelada e cinzenta recobria um pedaço negro do céu sem estrelas, o amor estalou meus ossos corroendo minha carne. Fogos percorreram distraidamente disfarçando o céu que gemia de dor. Assim, como meu corpo desmascarou todos os gemidos do ano que se foi. Assim, os fogos estalaram no céu e a lua sorriu com lágrimas. Um ano, quantos anos (...) Meu corpo se foi com alguma alma que jazia dentro de mim, vazia (...) Descompensada e aterrorizada fugindo entre as nuvens. Devoradora de sonhos, de frustrantes (i)rrealizáveis desejos. Minha alma, embalsamada junto aos medos foram deixadas no velho ano que passou. Num novo ar de dias, entrego-me aos deuses da felicidade para que rasgue-me os ossos e transborde-me em sorrisos verdadeiros. Num mar de amor deixo a paixão se realizar todas as manhãs e arder todas as noites. Como numa oração aos céus, peço a mim compaixão com as dores que podem ser vindas e mal chegadas. No meu colo amoroso, trago-me os bons pensamentos para que o universo dê-me momentos prazerosos e impensáveis. Ao novo velho que se foi agradeço pelo amadurecimento que ficou e as dores que se foram. Ao novo ano que chega, dou-lhe minha alma para que guarde-a até o adeus esperado. Entrego meu corpo para o amor e a minha alma para a felicidade a dois, o melhor, a três. Eu, ela e a lua.