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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Lágrimas ou chuva,

Se eu pudesse gritar, talvez, até mesmo tentaria com gosto. Porém, não posso essa noite. Não tenho pernas;Não tenho braços; Nem um pouquinho de certeza de que estou aqui quando a lua aparece. Só a chuva (...) Digo (...) Posso sentir a chuva como pedaços de pequenos grãos de areia que chamo de tola. Posso sentir a chuva como pequenos pedaços de ousadia transformada em lágrimas. E assim, sem braços nem pernas, afogo-me entre essas próprias lágrimas que novamente, chamo de tola. Mas, querido diário, quero apenas chorar esta noite. Com chuva ou sem chuva. Quero chamar-me de tola em frente ao espelho que não consigo sair. Se eu gritar? Será que conseguiria sair de dentro do espelho? Vejo-me com a boca torta, olhos desconfigurados, vazios, sem vida. Vejo-me entre minhas próprias covardias, minhas próprias emoções mascaradas de sentimentos inertes ao medo que tenho de mim. Ora, que coisa feia. Medo que tenho de mim. Medo do que sou de frente a mim. Mas o espelho, transfigurado entre o bem e o mal. O espelho, trazendo pequenos e/ou grandes resmas de papéis em branco, amassado pelo vento, molhado pela chuva, rabiscado pelo tempo. E nesta noite, com o espelho intacto e inacabado pelo passar do tempo, sinto cheiro de sangue misturado a qualquer vida morta, talvez a minha. Ora, que engraçado. Um pequeno pedaço de mim, triturado dentro do espelho que tento quebrar e não consigo. Porém, irei fechar meus olhos nesta noite de chuva, talvez, quem sabe, meus olhos não vejam essa boca torta e esses olhos dificilmente brilhando de emoção.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Felicidade?

Que tal de felicidade é essa, meus caros amigos? De felicitar alegria com ponderantes motivos de lágrimas; De levantar os pés para o alto e voar dentre nuvens passageiras; Em nevoeiros inertes condutores do medo. Pois, se minha alma viajante, percursora do meu terrível motor denominado um corpo, acordar durante o dia ensolarado, vejo-te na lua que passou durante a noite em meus lábios tão cansados.Porém, nessa instância que chamo feliz/felicidade, encontro mãos que me acolhem em um mundo atrás do espelho. Olho em tuas mãos, meu amor. Tão macias transferindo-me felicidade casual ou alegria alucinatória. Assim, num pontinho em um terreno distante, quero a felicidade que tu tens para dar-me; Quero os teus beijos de lábios macios provedor de uma excitação sem fim. Essa tal felicidade que move minha alma pecursora de minha alegria, chama-se amor de amar ao contrário do que os outros mandam e/ou pedem para amar. Tal de felicidade que me deixa voar entre as lágrimas de emoção com um gesto apaixonado, um pouquinho de atenção. Nada mais do que antes, nada mais que depois; Tudo de agora, de presente e de futuro. E em teus olhos que me cercam, reconheço-te minha felicidade. Esta que tu consegue dar-me desde o dia em que pegou a minha mão. Ora, meu lindo amor. Que felicidade é esta? Tão grande que faz meu sorriso tornar-se cansado, tanto que mostra entre os lábios os suspiros que me passa. E o medo, condutor de pesadelos incuráveis que meu inconsciente traz, tua força me acorda no meio da noite para dar-me o beijo apaixonado no canto do pescoço. Assim, meu amor, que deixe falar o mal do preconceito. Essa tal felicidade chegou para alegrar por grande tempo nosso pequeno corpo que move nosso próprio mundo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Suor de sangue.

Por mais que eu vá, sempre ficarei aqui. E minha mente encabulada se fecha diante do que meus olhos não suportam existir. Mas a chuva cai; O sol chora. Escondido entre nuvens empoeiradas de sujeira negra. Negra como a pele da vida humana que foi embora. Meus pedidos de socorro ressoavam junto com o daquela quase-vida que tentava salvar-se perante meu corpo - tão frágil e pequeno diante do mundo -, e, eu chore. Chorei junto do sol que suava ontem e chora hoje. E essas crises empurram-me pelas mãos e continuam a fazer-me pensar. Queria eu, Deus sol, não estar ali para chorar.
 O negro de sua pele misturou-se ao sangue; Sangue que corria de sua cabela aberta - transportando sonhos, medos, desejos e inconscientes apavorados pelo sistema doloroso que a pressão lhe era dada- e, caído ao chão como num mar avermelhado de pavor, caiu-se por seus próprios braços doloridos, encaixados em um corpo movido pela alma-motor sem movimento.
O suor do sol? Misturou-se ás lágrimas minhas que juntava-se ao desespero de um corpo caído ao chão quente de frio, pisado por pés calçados ou descalços. Mas a vida humana? Nada valeria senão um pequeno pedaço de carne enrustida a uma alma inexistente que some quando o sangue é derramado e destroçado em pedaços pelo chão. Tão banalmente vai embora correndo pelos corredores de um inferno próprio.
E meu coração? Voltou em horas, dias, anos atrás, quando minha grande-pequena criança, criada num interior de mim que nem se quer ainda dialoguei, nada queria fora do abrigo. E no abrigo, o corpo tremia todas as noites, deformado pelo esquisito "sportman-ship"
Lembrei-me agora, quando meu próprio eu que não faço nem ideia de quem seja, temoriza a ousadia e a transforma em medrosa vontade de não sair de mim mesmo. Porém, andando pela ruas, inerte ao fascínio esclerosado de meus pés levado pela minha mente, ontem ainda pseudo-medrosa, caminhavam sonhando pelo chão que, minutos depois, transbordou-se de sangue.
Talvez aquele homem esteja bem melhor que eu, aqui. Lugar este onde a vida nada é senão um pedaço que vale ouro. E naquela hora, deitada sobre o chão que pés pisam, uma única pisada na mente de alguém qual nem o nome me é cabível, tirou-o do inferno de uma terra exagerada em linhas tortas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vida sem vida.

Gostaria- eu- de fazer alguns ajustes nessa vida toda que me é apresentada. Sem desvios de vírgulas ou ponto final demais em linhas quebradas. Gostaria de apresentar-me entre as fileiras de pequenos gemidos e mal agouros que caem em minhas mãos como pequenos pedaços de sólidos grãos de chuva. Apresentada-me-é essa vida mordida por monstros incapazes de transformarem-me em algo que seja capaz de viver como eles. Porém, ingrata vida, nenhum lobisomem, bruxa ou algo de aparência torpe me é concretizada aqui. E nessa vida, mesmo mordida por vampiros de almas, continuo exalando lágrimas de sangue aos montes. Ora, que verdade mal fundada. Me tiram o sangue e me restam ainda mais para serem chorados. E nessa vida, já que eu apresento a minha existência mal criada, gostaria também de mostrar-lhes ( a mim mesmo) o quanto verdades podem ser criadas. Nesse auto engano, vivo de masoquismos sem tréguas quando permito-te - vida- esvaziar-me de sentidos inapropriados entre as mãos do destino versus tempo. Ora, que grande ousadia. Esse masoquismo que me agora é apresentado como algo realmente fiel de meu inconsciente está corroendo minhas mãos para que eu escreva linhas sem sentidos e consiga criar uma maneira de escrever a minha própria vida. Apresentar-me ao fiel escudeiro armado que junta-me de frente ao espelho com meus cruéis sonhos sem sentido. Sem sentido, assim como palavras minhas que são escritas juntando minha vida numa morte sem sentido. Novamente, o sentido fazendo parte de um eu sem charme, sem vida, sem sorrisos e sem virtudes. Ora, a quantas horas terei que despir-me para  encontrar meu verdadeiro corpo escondido e escurecido entre meus olhos carnais. Por isso, gostaria, eu, de mostrar-lhe verdadeiramente, vida, como é que as coisas mudam e voltam ao seu caminho normal. Pergunte-me tempo, se gostaria de voltar aos caminhos por onde andei e construir novos fantasmas para que eu sangre novamente em todo os cômodos gelados de minha pele carnal. Quanto carnal, meu jovem sábio, quantas letras embaralhadas me seguem na mente, ao som, do batucar de um relógio que mostra essa hora toda errada, ao som do murmurinho do vento que circula no ventilador, exilando ares quentes em conforme com meus olhos que latejam de tanta emoção. Por isso, vida minha, gostaria de dizer-lhes que estou aqui, prontinha para encarar-te, assim como aquela vida que esteve frente a frente a minha encarou e a perdeu. Assim, assim mesmo. Como os momentos que o morderam e o fizeram exilar sangue. O mesmo sangue vermelho que eu tenho, que tu tens e que o tempo mede toda vez que bate e rebate em seu térreo pomar. Estas flores morrem, assim com pancadas  e esmagamentos desconcertantes. Assim, vida, como uma vida que esteve prestes a viver e que deu-lhe nenhuma chance entregando-lhe para os vampiros do tempo que consomem seu sangue. Que coisa feia, vida, apavorando os meus sentidos, criando incrédulos fantasmas que assombram agora a minha cabeça. Não, não gostaria de escrever sobre essas linhas para que fique escrito tudo aquilo que passou. Não! Gostaria de mostrar essa vida que me é apresentada pra ti própria, para que assim consigas ver o quão errado está fazendo junto com o tempo infiel. Agarrado ao travesseiro vivo, sangue escorre por entre os meus dedos e meus olhos viajam nas altitudes inertes que aquele frio descompensado trouxe. Ora, quantas horas terei que viver para esquecer-te vida? Esquecer-te, que foi embora diante de meus olhos, junto com todo o sangue retirado pelo vampiro daquele homem jogado ao chão. A vida que foi embora diante da vida que aqui escreve todas essas palavras tortas misturadas com o tic tac do tempo que passa junto com os segundos do relógio que me vem na imaginação. Adeus imaginação, não quero mais apresentar-me a nenhum sinal de covardia. Minhas pernas trêmulas não querem lembrar de vidas que se vão em meio a um tudo que agora vale nada.